terça-feira, 29 de junho de 2010

O processo de tomada de decisão nas empresas

Em toda a situação que você tem que escolher entre duas ou mais alternativas você está em uma posição que terá que tomar uma decisão, e mesmo quando você resolve não escolher nenhuma delas, você também tomou uma decisão. David Cohen em entrevista para a revista Exame de 8 de agosto de 2001, afirma que, segundo pesquisa realizada com 2476 gerentes de 21 empresas japonesas feita pelo professor de administração da Universidade de Tóquio, Nobuo Takahashi, 63,4% das decisões dos executivos são tomadas pela fuga do problema. Decisão por fuga acontece quando o responsável demora tanto para agir que o problema se resolve sozinho – para o bem ou para o mal. Essa pesquisa revelou também que, para os gerentes com idade entre 30 e 39 anos, esse percentual sobe para 83,2%.
Nesta mesma reportagem, nos é reportado que metade das decisões tomadas nas empresas fracassa, conforme resultado obtido em duas décadas de pesquisas pelo professor Paul Nutt, do Fisher College of Business, da Univerdade de Ohio, sobre mais de 400 decisões de executivos dos Estados Unidos e do Canadá. Uma das constatações é que o processo formal de tomada de decisões, raramente é seguido, pois costumam pular direto para as conclusões e ações, limitando a pesquisa de dados e os levando a considerar poucas alternativas e dando pouca atenção às pessoas afetadas pelas decisões.
O lema de Sócrates, “Conhece-te a ti mesmo” é muito importante para qualquer pessoa ao tomar decisões importantes, pois a percepção de estar caindo em uma armadilha cognitiva é mais difícil do que parece, por esta razão, conhecer os erros cognitivos estudados e identificados pelos pesquisadores deste assunto é um primeiro passo para evitá-los.
Gary (Cognitive Bias: Systematic Errors in Decision Making. HBR - Harvard Business Review, Boston, 1998, p.4) resumiu os 13 erros cognitivos de Marx Bazerman que apresentaremos aqui:
1. Facilidade de lembrar: Julgamentos da freqüência com que certos eventos acontecem são afetados pela facilidade com que são lembrados, sobrepondo a freqüência de fatos lembrados com mais dificuldade, mesmo que tenham ocorrido com a mesma freqüência;
2. Capacidade da informação de ser lembrada: Indivíduos são tendenciosos em suas avaliações sobre a freqüência com que certos eventos ocorrem, e são influenciados pela sua estrutura de memória, que privilegiará os tipos de eventos que têm mais facilidade de lembrar;
3. Associações enganosas: Indivíduos tendem a superestimar as probabilidades de dois eventos ocorrerem juntos, baseados no número de associações semelhantes anteriores lembradas. Essas associações são frutos da experiência pessoal ou da influência social do indivíduo;
4. Insensibilidade aos indicadores: Os indivíduos tendem a ignorar indicadores (índices de evolução, probabilidades referente a ocorrências similares), quando têm informações descritivas sobre o evento analisado, mesmo se esta for irrelevante;
5. Desconsiderar o tamanho da amostra: Indivíduos freqüentemente falham ao não dar importância ao tamanho da amostra na avaliação da confiabilidade da informação gerada pela amostra. A tendência a considerar informações estatísticas de amostras muito pequenas pode induzir a erros;
6. Concepção errônea da aleatoriedade: Indivíduos esperam que uma seqüência de dados gerados ao acaso por um processo que aparenta ser aleatório, seja aleatório, até mesmo quando a amostra é muito pequena para que essas expectativas sejam validadas estatisticamente;
7. Regressão para a média: Os indivíduos tendem a ignorar o fato que eventos extremos tendem a ser exceções e que em subseqüentes tentativas o fenômeno tende a voltar para a média;
8. Falácia da conjunção: Indivíduos tendem a julgar erroneamente que a probabilidade de ocorrer uma conjunção (uma combinação de dois ou mais eventos) é maior que a ocorrência de qualquer um dos eventos do conjunto de eventos completo, da qual a conjunção faz parte;
9. Ajuste insuficiente das referências: Indivíduos fazem estimativas baseados em referências iniciais (informação disponível) e tipicamente fazem ajustes insuficientes para aquela ancoragem quando estabelecem um valor final. Durante o transcorrer de um evento, podem surgir fatores que podem têm profundo efeito em nossas decisões, e que deveriam servir para ajustar nossas referências, para elaboração de novas estimativas;
10. Conjunção e disjunção: Indivíduos tendem a superestimar a probabilidade da ocorrência de eventos conjuntivos (mais de um evento) e subestimar a probabilidade de ocorrência de eventos separados (disjuntivos);
11. Excesso de confiança: Os indivíduos tendem a ser muito seguros quanto ao acerto dos seus julgamentos em situações ou questões de decisão extremamente difíceis;
12. A armadilha da confirmação: Indivíduos tendem a buscar informações que confirmem o que eles pensam ser verdade e negligenciam a procura por evidências que neguem suas verdades;
13. Confirmação e compreensão tardia e a maldição do conhecimento: Compreensão tardia escreve Bazerman (apud GARY, p.4), refere-se ao fato de que depois de saber que um evento aconteceu, indivíduos tendem a superestimar o grau para o qual eles teriam predito o resultado correto. Indivíduos também falham ignorando suas informações, quando prevêem outros resultados. Escritores técnicos tendem a superestimar as habilidades das pessoas comuns em entender seus manuais, devido a este conhecimento lhes ser psicologicamente disponível, esquecendo o quanto os outros sabem.